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A paixão sem mistérios? A anatomia, a química e a biologia do amor

Friday, December 22nd, 2006

“Então de repente, no bar, na festa, na praia, na fila do banco – não importa -, os olhos se encontram. Primeiro uma ansiedade, um calor no peito que logo se espalha em calafrios que procuramos disfarçar. Um leve suor nas mãos. No primeiro encontro, os lábios ressecam um pouco antes do primeiro beijo, as palavras tremem embaraçadas em pensamentos confusos. Joelhos que mal sustentam o peso do corpo. Esquecemos do mundo lá fora em eternas horas de silenciosa saudade ao telefone, perfumadas com aquela inquietude própria dos amantes… ”

Introdução

Quem nunca sentiu coisa parecida? Pois os cientistas – sempre eles! – querem nos convencer que toda esta áurea sedutora de mistério que envolve os assuntos do coração não passa de uma meia dúzia de manifestações anatômicas e equações bioquímicas. Até onde a ciência pode realmente traduzir em números e estatísticas aquilo que para muitos de nós é a verdadeira essência dos céus na Terra: o Amor?

Primeiro, definindo o amor

O amor é uma experiência consumptiva. Mergulhamos euforicamente nesta deliciosa tortura e não comemos ou dormimos direito. Freqüentemente, é difícil manter a concentração. A Dra. Donatella Marazziti, psiquiatra da Universidade de Pisa, acredita que pessoas “doentes de amor” estejam realmente doentes: sofrem de um distúrbio obsessivo-compulsivo. Inegavelmente, paixão e psicose obsessiva-compulsiva compartilham diversos aspectos comuns. E isto não é meramente uma teoria sem fundamentos: “ambos estados associam-se a baixos níveis cerebrais de serotonina, uma substância química fabricada pelo corpo que nos ajuda a lidar com situações estressantes”, afirma a médica.

Uma segunda descoberta do trabalho da Dra. Marazziti e não menos importante merece ser mencionada: bebidas alcoólicas também diminuem os níveis de serotonina no cérebro, criando a ilusão de que a pessoa do outro lado do bar é o amor da sua vida. Portanto, cuidado com as noitadas.

Que seja eterno enquanto dure

Existe um limite de tempo para homens e mulheres sentirem os arroubos da paixão? Segundo a professora Cindy Hazan, da Universidade Cornell de Nova Iorque, sim. Ela diz: “seres humanos são biologicamente programados para se sentirem apaixonados durante 18 a 30 meses”. Ela entrevistou e testou 5.000 pessoas de 37 culturas diferentes e descobriu que o amor possui um “tempo de vida” longo o suficiente para que o casal se conheça, copule e produza uma criança. “Em termos evolucionários,” – ela completa – “não necessitamos de corações palpitantes e suores frios nas mãos”.

A pesquisadora identificou algumas substâncias responsáveis pelo Amor: dopamina, feniletilamina e ocitocina. Estes produtos químicos são todos relativamente comuns no corpo humano, mas são encontrados juntos apenas durante as fases iniciais do flerte. Ainda assim, com o tempo, o organismo vai se tornando resistente aos seus efeitos – e toda a “loucura” da paixão desvanece gradualmente – a fase de atração não dura para sempre. O casal, então, se vê frente a uma dicotomia: ou se separa ou habitua-se a manifestações mais brandas de amor – companheirismo, afeto e tolerância -, e permanece junto. “Isto é especialmente verdadeiro quando filhos estão envolvidos na relação”, diz a Dra. Hazan.

Os homens parecem ser mais susceptíveis à ação das substâncias responsáveis pelas manifestações associadas ao Amor. Eles se apaixonam mais rápida e facilmente que as mulheres. E a Dra. Hazan é categórica quanto ao que leva um casal a se apaixonar e reproduzir: “graças à intensidade da ilusão romanceada que temos do Amor, achamos que escolhemos nossos parceiros, mas a verdade é conhecida até mesmo pelos zeladores dos zoológicos: a maneira mais confiável de se fazer com que um casal de qualquer espécie reproduza é mantê-los em um mesmo espaço durante algum tempo” – que o digam os processos de assédio sexual no local de trabalho…

Com base em pesquisas da Dra. Helen Fisher, antropologista da Universidade Rutgers e autora do livro The Anatomy of Love, pode-se fazer um quadro com as várias manifestações e fases do amor e suas relações com diferentes substâncias químicas no corpo:

Manifestação Conceito Substância mais associada
Luxúria Desejo ardente por sexo - Testosterona
Atração Amor no estágio de euforia, envolvimento emocional e romance - Altos níveis de Dopamina e norepinefrina
- Baixos níveis de serotonina
Ligação Atração que evolui para uma relação calma, duradoura e segura - Ocitocina e vasopressina

Fórmulas do Amor: a paixão é uma reação química?

Os cientistas conhecem a Feniletilamina (um dos mais simples neurotransmissores) há cerca de 100 anos, mas só recentemente começaram a associá-la ao sentimento de Amor. Ela é uma molécula natural semelhante à anfetamina e suspeita-se que sua produção no cérebro possa ser desencadeada por eventos tão simples como uma troca de olhares ou um aperto de mãos.

O affair da feniletilamina com o Amor teve início com uma teoria proposta pelos médicos Donald F. Klein e Michael Lebowitz, do Instituto Psiquiátrico Estadual de Nova Iorque. Eles sugeriram que o cérebro de uma pessoa apaixonada continha grandes quantidades de feniletilamina e que esta substância poderia responder, em grande parte, pelas sensações e modificações fisiológicas que experimentamos quando estamos apaixonados.

A Dra. Helen Fisher demonstrou que a inconstância, a exaltação, a euforia, e a falta de sono e de apetite associam-se a altos níveis de dopamina e norepinefrina, estimulantes naturais do cérebro.

Alguns pesquisadores afirmam que exalamos continuamente, pelos bilhões de poros na pele e até mesmo pelo hálito, produtos químicos voláteis chamados Feromônios. Atualmente, existem evidências intrigantes e controvertidas de que os seres humanos podem se comunicar com sinais bioquímicos inconscientes. Os que defendem a existência dos feromônios baseiam-se em evidências mostrando a presença e a utilização de feromônios por espécies tão diversas como borboletas, formigas, lobos, elefantes e pequenos símios. Os feromônios podem sinalizar interesses sexuais, situações de perigo e outros. Se realmente existirem na espécie humana e sua percepção se der de maneira inconsciente, estaríamos permanentemente emitindo informações acerca de nossas preferências sexuais e desejos mais obscuros sem saber?

Os defensores da Teoria dos Feromônios vão ainda mais longe: dizem que o “amor à primeira vista” é a maior prova da existência destas substâncias controvertidas. Os feromônios – atestam – produzem reações químicas que resultam em sensações prazerosas. À medida em que vamos nos tornando dependentes, a cada ausência mais prolongada nos dizemos “apaixonados” – a ansiedade da paixão, então, seria o sintoma mais pertinente da Síndrome de Abstinência de Feromônios.

Com ou sem feromônios, é fato que a sensação de “amor à primeira vista” relaciona-se significativamente a grandes quantidades de feniletilamina, dopamina e norepinefrina no organismo. E voltamos à questão inicial: até que ponto a paixão é simplesmente uma reação química ?

O amor por cima das teorias

Apesar de todas as pesquisas e descobertas, existe no ar uma sensação de que a evolução, por algum motivo, modificou nossos genes permitindo que o amor não-associado à procriação surgisse – calcula-se que isto se deu há aproximadamente 10.000 anos. Os homens passaram realmente a amar as mulheres, e algumas destas passaram a olhar os homens como algo mais além de máquinas de proteção.

A despeito de todos os tubos de ensaio de sofisticados laboratórios e reações químicas e moléculas citoplasmáticas, afinal, deve haver algo mais entre o céu e a terra…

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Fonte: http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=4143&ReturnCatID=1781

 

Sexo por sexo

Wednesday, December 13th, 2006

Acho que passa um pouco pela atual e tão discutida falta de referência pessoal, esta busca louca por realização sexual, seja de que forma for.

Garotas e garotos de programa estão faturando alto nestes dias em que até observação de cego está valendo para fomentar o consumismo das pessoas que ainda não descobriram sua identidade e que vivem vagando em busca de elogios tão superficiais quanto elas mesmas.

Ah, mas o mundo sempre foi assim… é verdade! Mas hoje parece que está mais, não é mesmo? Talvez seja culpa da globalização e desta abertura dos meios de comunicação. A internet, o celular… Hoje se sabe mais sobre estas coisas, se vê mais. Na verdade, os vaidosos de plantão sempre existiram.

As pessoas estão vivendo para ter e para consumir objetos de desejo desenfreadamente todos os dias, em busca de estabelecer uma imagem que reflita um poder que, na realidade, elas não têm. Estas mesmas pessoas buscam no sexo eventual, a aferição do seu poder de sedução e a constatação do quanto valem os investimentos que fizeram nos seus corpos com as horas dedicadas a procedimentos de beleza e com as fortunas desembolsadas com a aquisição de bens de consumo como roupas, jóias e carros que elas pensam, as fazem parecer mais atraentes e poderosas.

Não é nada disso que importa, gente! Sexo é muito mais do que isso. Sexo é oportunidade divina de comunhão entre dois seres. Não importa a performance, não importa a forma física, não importa os apetrechos e fantasias e nem mesmo o clímax em si, se entre os participantes deste encontro não houver uma proposta maior.

“Querer aprender umas tantas “técnicas” exóticas de excitação e querer manter o momento sexual isolado de tudo o mais não leva a nada – ou leva ao de sempre. Querer achar – como o querem os que escrevem para revistas de encontros sexuais – uma companhia para sexo “sem compromissos”, corresponde a cortar os genitais e manda-los pelo Correio – um para o outro. É isolar a pessoa do ato – técnica primária de Alienação”. Diz o psiquiatra e escritor José Ângelo Gaiarsa em seu livro, A família de que se fala e a família de que se sofre – o livro negro da família do amor e do sexo. Ed. Agora.

O sexo mecânico e sem envolvimento que muitos julgam prazeroso, sobretudo porque não causa dependência e nem aborrecimentos, nada mais é que uma luta incansável por manter-se em um estado constante de alienação que termina por obrigar quem o pratica a procurar continuamente por novos parceiros e em todas as vezes a praticar tudo igual como se fosse a primeira vez, e é na verdade. Pode até ser gostoso e, na maioria das vezes, é, mas fica faltando alguma coisa. Sorvete também é uma delicia, no entanto acaba muito rápido e não deixa lembrança alguma, depois de alguns você enjoa e passa a preferir comer tortas e doces.

No sexo onde exista, no mínimo, atração física cultivada, por exemplo, no sexo entre amantes, mesmo que com a proposta de nunca haver entre os dois um compromisso, cabe a possibilidade de se desenvolver ali um interesse mútuo de felicidade através do prazer.

No sexo onde o amor acontece e os parceiros não temem os aborrecimentos que certamente surgem com o compromisso, a entrega dos dois possibilita uma enorme troca de energias e o sentimento faz com que o prazer se estenda além do corpo. Neste caso, não existem olhos para as roupas que vestiam, para as gordurinhas fora do lugar, para as ruguinhas que o tempo deixou ou para alguma deficiência física. Acreditem, o tesão é cada vez maior, e cada dia queremos mais com aquela pessoa.

Ninguém ali se lembra se o outro tem jóias no cofre de um banco ou qual é o carro que deixou na garagem. O poder está em fazer-se feliz e em fazer feliz o outro. O poder está em sair daquele momento com uma sensação indescritível de plenitude. O poder está em andar leve e sorridente até que um próximo encontro aconteça. Está em esperar ansiosamente por um novo encontro. O poder está na segurança de que o outro o deseja e que deseja além de tudo, cada dia mais, a sua companhia.

Havendo constância nos encontros amorosos, o casal estará sempre em busca de novos prazeres. Novas carícias, descobertas de pontos erógenos um do outro, novas e mais adequadas posições para os seus corpos. A intimidade, que não acontece nos encontros fortuitos, possibilita ao casal que se ama uma continuidade no interesse de agradar-se mutuamente. E assim, não sendo dois estranhos, serão capazes de inovar sempre, por mais que se acredite no contrario. A rotina, normalmente, acontece entre estranhos. Entre estranhos que vivem na mesma casa!

“Nada que seja feito do mesmo modo – sempre do mesmo modo – conserva os níveis iniciais de interesse, consciência e prazer. A alma da vida, do crescimento e do prazer é a VARIAÇÃO – toda criação e crescimento são variações. O mal está na constância.” Diz ainda o Gaiarsa no mesmo livro.

A variação não precisa necessariamente ser de pessoas! E constância, neste caso, é a de atitudes mecânicas presentes no sexo feito por obrigação s,ó porque dois estranhos insistem em viver juntos. Muitas vezes, sexo entre marido e mulher, também é “sexo por sexo”. Quando acaba, fica uma sensação horrível de vazio, ninguém entende por que é que ainda está ali…

Sendo assim, minha mensagem, dessa vez, é que você busque no sexo algo muito maior que auto afirmação. Que você busque no sexo, nesta fonte inesgotável de saúde, a sua PAZ.

Muito amor, muito sexo, muita paz!

Jussara Hadadd é terapeuta holística,
especializada em sexualidade

Fonte: www.acessa.com

 

Rotina que faz bem

Wednesday, December 13th, 2006

Giuliana Aflalo Lopes Barbieri

Casados: animem-se! Ninguém com alguns meses ou anos de vida em comum é obrigatoriamente vítima da rotina sexual.

Segundo pessoas casadas, ou que curtem um relacionamento duradouro, e felizes, a intimidade trazida pela vida a dois só pode melhorar o sexo. “Essa história que o sexo acaba com o casamento é da época da minha avó, que a mulher tinha que ser recatada até com o marido. Hoje, nós podemos ousar muito mais”, conta Célia de Freitas, 34 anos e 9 de casamento. “É aquela velha história: a prática leva à perfeição”.

É verdade. Hoje há muitos recursos para manter a chama da paixão acesa. E, a maneira mais lógica é usar esse conhecimento diário a favor de uma vida sexual mais intensa.

“Muitos casais realmente se queixam do sexo quando estão juntos há muito tempo, pois a rotina pode interferir no desempenho sexual. Devemos começar questionando como estão as coisas ‘fora’ da cama: se a rotina é somente sexual ou da vida”, afirma a sexóloga Lucianne Fernandes.

Ela garante que muitas vezes o casal está cansado do dia-a-dia como um todo: trabalho, filhos, casa, contas etc. E, acabam deixando de lado os prazeres da vida. “O perigo está aí”, diz. Para a Dra. Lucianne, o prazer não deve ser buscado somente na cama mas, durante todo o dia. É importante ter momentos de lazer, inovar seus dias e fazer uma atividade física, não deixando que o estresse do mundo faça com que você pare de apreciar as boas coisas da vida. “Sentir-se bem aumenta a auto-estima e isso melhora o desempenho sexual de qualquer um”, conta a psicóloga. “Estar bem com você é estar bem com o outro”.

É utopia dizer que não há fases sexuais ruins depois de algum tempo de relacionamento. Pode-se chamar isso de “efeito colateral” de uma relação duradouro que, de acordo com profissionais, pode ser combatido com um pouco de empenho e alguma criatividade.

“Para o sexo não esfriar é preciso ter criatividade e boa vontade. Mostrar o quanto a outra pessoa é importante. Um carinho, um afago e, principalmente, muito namoro”, estes são os conselhos da psicóloga que lembram bastante a receita de Célia de Freitas. “Sair para jantar fora, fazer surpresas fora de hora, paquerar de longe seu parceiro ou sua parceira durante uma festa são dicas que não costumas falhar”, conta Dra. Lucianne.

Use da intimidade para colocar em prática fantasias, jogos eróticos e se arrisque em novas situações. Hoje em dia, só deixa a peteca cair quem quer. E, lembre-se, um pouco de jogo de cintura vale a pena quando se tem o privilégio de envelhecer ao lado de quem se escolheu.

Fonte: www.uol.com.br